Pesquisa mira formação apontada como possível Arca de Noé
Por Redação
30/09/26 – Uma equipe da Universidade Sivas Cumhuriyet, da Turquia, realiza trabalhos de campo na formação Durupinar, uma estrutura em forma de barco com cerca de 157 metros de comprimento, no distrito de Doğubayazıt, perto do Monte Ararat. A pesquisa tem autorização oficial das autoridades turcas e é parceira da organização americana Noah's Ark Scans. O objetivo é verificar se o local guarda vestígios de uma antiga embarcação ou se o formato resulta de processos geológicos naturais.
O projeto é liderado pelo professor Cenker Atila e envolve estudos geológicos, geofísicos e arqueológicos. Neste momento, os pesquisadores coletam amostras por meio de perfurações, e o material retirado será analisado para determinar a composição e as características do terreno. Segundo a organização, os dados mais relevantes devem ser apresentados até 2027.
Do mapeamento à perfuração
Na primeira etapa, a equipe fez o mapeamento da área, com coordenadas por GPS e uma grade para organizar as medições. Em seguida, produziu modelos digitais em duas e três dimensões da formação. Foram usados ainda radar de penetração no solo (GPR), tomografia de resistividade elétrica (ERT) e LiDAR, técnicas que permitem estudar o subsolo e o terreno sem escavação imediata.
Segundo o Noah's Ark Scans, levantamentos geofísicos revelaram estruturas abaixo da superfície com ângulos retos e compartimentos semelhantes a salas, a cerca de nove metros de profundidade. Amostras de solo coletadas em 2024 e analisadas em laboratório indicaram concentração de matéria orgânica quase três vezes maior dentro da estrutura do que na área externa.
O professor Atila afirmou que, em 2026, a equipe fez uma investigação abrangente do sítio, com radar, amostragem de solo, perfuração profunda e levantamentos de superfície, e que cada etapa trouxe descobertas que aumentam o interesse na possibilidade de a formação preservar evidências relacionadas à Arca de Noé.
Um sítio em debate desde 1959
A formação ficou conhecida em 1959, quando o capitão do Exército turco Ilhan Durupinar a identificou em fotografias aéreas de reconhecimento no leste do país. Desde então, pesquisadores discutem sua origem e a possível relação com a narrativa bíblica. A própria Noah's Ark Scans apresenta as duas hipóteses em seus materiais e cita levantamentos anteriores que apontaram estruturas lineares e ângulos no subsolo. Essas observações, porém, não comprovam que o local seja a Arca descrita na Bíblia.
O estudo também analisa blocos de pedra perfurados encontrados no povoado de Arzap. Pesquisadores ligados ao projeto apontam a possibilidade de serem âncoras de arrasto, as chamadas drogue stones, usadas por embarcações antigas.
Há ainda declarações de cunho ideológico associadas ao projeto. A diretora de marketing, Lauren Witzke, afirmou em redes sociais, segundo a CNN Brasil, que “o darwinismo será destruído” com as evidências obtidas. Trata-se de uma posição da porta-voz, não de um resultado científico.
Escavações só após os testes
De acordo com a equipe, eventuais escavações arqueológicas diretas só serão realizadas depois da conclusão dos testes de perfuração e do mapeamento geofísico completo da área. Os dados e as amostras serão reunidos em um livro e, depois, levados à comunidade científica em conferências internacionais.
Fotos: Divulgação / Noah's Ark Scans



