Lobista diz que Lula sabia de reuniões do filho com ministros e quer delação
Por Redação
18/10/26 – A empresária e lobista Roberta Luchsinger afirmou, em entrevista exibida no sábado (17), que quer fazer um acordo de delação premiada e que, se a colaboração avançar, não pouparia ninguém, nem Lula (PT) nem o filho dele, o Lulinha. Ela é investigada em inquéritos que apuram suspeitas de tráfico de influência em órgãos federais.
As declarações vêm em meio a um embate público com o presidente, que a chamou de “pilantra” em entrevistas, e a uma semana do segundo turno da eleição, marcado para 25 de outubro. Roberta nega ter cometido irregularidades e diz que vem sendo ameaçada de morte desde que seu nome passou a aparecer nas investigações.
O que ela disse sobre a delação
Roberta declarou que quer colaborar com as autoridades, embora entenda que não cometeu crime algum. Segundo ela, poderia apresentar detalhes que não estão nas mensagens de WhatsApp já apreendidas. A empresária não informou quais seriam essas informações.
Ela também disse ter visto Lulinha reunido com ministros “inúmeras vezes” e que o filho do presidente “sentava semanalmente” com integrantes do governo. Não detalhou os assuntos tratados e citou uma viagem dele à casa do ministro Camilo Santana, no Ceará. Questionada se presenciou conversa sobre a venda de canabidiol ao Ministério da Saúde, um dos temas investigados, respondeu que, na presença dela, não.
De acordo com as declarações, Roberta insinuou que encontros de Lulinha com o presidente de uma empreiteira portuguesa poderiam ter relação com o contrato para o túnel Santos–Guarujá, mas não apresentou provas nem deu mais detalhes.
Quem é e o que é investigado
Aos 41 anos, Roberta se aproximou do PT em 2017 e, em 2018, concorreu a deputada estadual por São Paulo pelo partido, sem se eleger. Entre os pontos apurados nos inquéritos estão uma possível negociação de medicamentos à base de canabidiol com o Ministério da Saúde e tratativas envolvendo a Dataprev.
Segundo as investigações da Polícia Federal, ela teria recebido recursos de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, para prospectar negócios, e o apresentado a Lulinha. Roberta afirma que conheceu “o Antônio”, não o Careca do INSS, nega ligação com as fraudes no INSS e rejeita a versão da tentativa de venda de canabidiol nos termos apontados.
Ela disse ainda que ministros e assessores lhe pediram favores, citando o ex-chefe de gabinete de Lula Marco Aurélio Santana, o Marcola, e afirmou nunca ter tido contrato público. A defesa de Marcola sustenta que um empréstimo de cerca de R$ 249 mil recebido dela tinha caráter pessoal e foi quitado.
Ameaças e conflito com o presidente
A lobista disse receber cerca de 50 ameaças de morte por dia e atribuiu o agravamento à exposição de seu nome e às falas de Lula. Não deu detalhes sobre a autoria das mensagens. Também afirmou que, se algo acontecer com ela ou com as filhas, “a culpa é do Lula”.
Ela chamou o presidente de mentiroso e disse que ele a colocou como “boi de piranha”. Em agosto, ao ser questionado sobre as suspeitas envolvendo Lulinha, Lula respondeu: “O que uma pilantra pode fazer num telefone?”.
O que dizem o Planalto e a defesa de Lulinha
Em nota, a Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência diz que Lula desconhece inteiramente os fatos relatados, jamais manteve interlocução com Roberta e nunca recebeu demandas dela. O texto afirma que não há contrato do governo federal com a lobista e classifica como estranho que as declarações surjam às vésperas do segundo turno. Em 28 de agosto, a campanha do presidente já havia dito, em nota, que fotos dos dois juntos não significam relação pessoal, profissional ou política.
O senador Camilo Santana afirmou, em nota, que nunca esteve com Lulinha para tratar de assuntos de governo ou de negócios e que não tem relação com Roberta.
A defesa de Lulinha, assinada pelo advogado Guilherme Suguimore Santos, nega irregularidades e diz que os dados bancários, fiscais e telemáticos dele foram abertos. Afirma que as relações dele com políticos são pessoais e que as declarações de Roberta são incompatíveis com o depoimento dela às autoridades. A defesa diz que Lulinha comprovará sua inocência nos autos.
Até o momento, não há confirmação de que um acordo de delação tenha sido formalmente apresentado: o que a empresária manifestou foi o desejo de colaborar.
Fotos reprodução

















