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Vacinação contra dengue é suspensa após investigação de mortes

Ministério da Saúde interrompe aplicação da vacina do Butantan de forma preventiva após registro de casos graves que incluem duas mortes sob investigação

Por Redação

O Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária da campanha de vacinação contra a dengue com o imunizante Butantan-DV após o registro de eventos adversos graves que estão sendo investigados. A medida foi divulgada nesta segunda-feira (8) e ocorre de forma preventiva enquanto especialistas analisam possíveis ligações entre a vacina e os casos reportados.

Segundo informações do governo federal, cerca de 500 mil doses do imunizante foram aplicadas desde o início da estratégia de vacinação. Nesse universo, foram identificados 42 casos de reações adversas consideradas mais severas. Entre eles, três evoluíram para quadros graves, incluindo dois óbitos.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que ainda não há comprovação de relação direta entre a vacina e os casos registrados. No entanto, destacou que os episódios representam um sinal de alerta suficiente para justificar a interrupção temporária da campanha.

De acordo com o ministério, os eventos graves ocorreram entre os meses de março e abril. As investigações continuam para determinar se existe ou não vínculo causal entre a imunização e os problemas de saúde observados.

Programa de vacinação será reavaliado

A vacina Butantan-DV foi desenvolvida pelo Instituto Butantan e é considerada a primeira vacina contra a dengue em dose única produzida integralmente no Brasil. O imunizante vinha sendo aplicado em municípios selecionados para projetos-piloto e também em ações específicas voltadas para grupos prioritários.

Entre as cidades participantes da estratégia estavam Botucatu, no interior de São Paulo, Maranguape, no Ceará, e Nova Lima, em Minas Gerais. Nessas localidades, a vacinação foi direcionada a pessoas entre 15 e 59 anos, faixa etária contemplada pela indicação aprovada para o Programa Nacional de Imunizações (PNI).

Além disso, uma campanha foi realizada na região de Araguaína, no Tocantins. O Ministério da Saúde não informou em quais localidades ocorreram os casos graves atualmente investigados.

As vítimas fatais são um homem de 58 anos e uma mulher de 48 anos. Um terceiro caso grave envolveu uma mulher de 39 anos, que recebeu atendimento médico e apresentou recuperação após hospitalização.

Vacinação contra dengue é suspensa após investigação de mortes

Butantan reforça confiança na segurança da vacina

Em nota oficial, o Instituto Butantan informou que acompanha a decisão das autoridades sanitárias e colaborará integralmente com os processos de investigação conduzidos pelo Ministério da Saúde e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A instituição destacou que a suspensão tem caráter preventivo e ressaltou que os casos graves representam uma parcela extremamente pequena diante do total de pessoas vacinadas.

O Butantan também lembrou que estudos clínicos demonstraram eficácia global de 79,6% contra a dengue e proteção de até 89% contra formas graves da doença. Segundo o instituto, o monitoramento realizado nos municípios que participaram das campanhas em larga escala não identificou problemas relevantes relacionados à segurança da vacina.

Ainda conforme a nota, novos estudos e análises de farmacovigilância serão realizados para aprofundar a investigação e fornecer informações adicionais às autoridades regulatórias.

Orientação para pessoas vacinadas

O Ministério da Saúde orienta que pessoas imunizadas nos últimos 21 dias fiquem atentas a possíveis sintomas que possam indicar complicações. Entre os sinais citados estão febre, vômitos, irritabilidade, dores abdominais, desidratação, fadiga intensa e outras manifestações que provoquem mal-estar significativo.

As autoridades recomendam a procura imediata de atendimento médico caso qualquer um desses sintomas se apresente de forma intensa ou persistente.

Enquanto as investigações prosseguem, os lotes da vacina permanecerão armazenados e não serão descartados. A retomada da vacinação dependerá dos resultados das análises conduzidas pelos órgãos responsáveis pela segurança sanitária no país.