Teatro Leopoldo Fróes terá desapropriação e restauro
Por Redação
18/10/26 – A Prefeitura de Niterói vai desapropriar o prédio do Teatro Leopoldo Fróes, no Centro da cidade, e restaurá-lo por completo. O prefeito Rodrigo Neves assinará nesta semana o decreto que formaliza a medida. A casa de espetáculos está fechada desde 1991 e, segundo a administração municipal, deve voltar a receber a produção local, com espaço para o teatro e para outras manifestações artísticas.
A reabertura é tratada pelo prefeito como parte do plano de revitalização do Centro. Em declaração divulgada pela prefeitura, Neves afirmou que o projeto é conduzido com planejamento e que atende a um desejo antigo da classe artística. Ele também disse que o teatro, junto com a Biblioteca reaberta na Praça da República, será um dos pilares dessa recuperação.
Do Teatro Alvorada ao palco da resistência
O espaço funcionava como Teatro Alvorada até ser alugado pelo Instituto Niteroiense de Desenvolvimento Cultural (INDC), que o abriu em 1973 para suprir a demanda do setor durante a reforma do Theatro Municipal. Naquele mesmo ano, em plena ditadura militar, a casa foi fechada por ordem do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), em resposta à encenação de “Arena conta Zumbi” pelo grupo Ceia, do Instituto Abel. O musical, que retrata a luta dos quilombolas de Palmares, foi considerado “subversivo”.
Depois de dez meses fechado, o teatro foi reaberto com novo nome, em homenagem a Leopoldo Fróes, ator e comediante nascido em Niterói que marcou o teatro brasileiro.
Laboratório da cena niteroiense
Após a fusão do antigo Estado do Rio com a Guanabara, em 1975, a cidade sofreu forte impacto cultural. O Leopoldo Fróes abrigou movimentos que tentavam reanimar a cena local, como “Niterói vai Sumir”, “Niterói vai Assumir” e “Araribroadway”, além de grupos como Grito e Papel Crepon. Segundo o material divulgado, a vocação experimental do espaço foi decisiva para a formação de novos profissionais.
Na década de 1980, a programação passou a incluir espetáculos profissionais do Rio de Janeiro, em projetos como “Fim de Tarde”, “Sete em Ponto”, “Pixinguinha” e “Seis e Meia”. O palco recebeu shows de Sidney Magal, Elza Soares, Leci Brandão, Zizi Possi, Elba Ramalho e Pepeu Gomes. Artistas de Niterói como Zélia Duncan, Arthur Maia, Dalto, Byafra, Marvio Ciribelli, Sergio Chiavazzoli e Marcos Sabino foram revelados ali. Nesse período, a Associação dos Trabalhadores em Artes Cênicas de Niterói (ATACEN) iniciou seu ciclo de leituras dramatizadas.
Fechamento, mobilização e incêndio
Em 1991, o teatro deixou de funcionar sob a administração da prefeitura e foi fechado. Artistas e produtores criaram o movimento SOS Leopoldo Fróes, que promoveu um abraço e um show na Praça da República, além de um abaixo-assinado. O ato, porém, não reverteu a decisão. Em 2021, durante a pandemia de Covid-19, o espaço foi atingido por um incêndio.
Centro em transformação
A desapropriação ocorre em um período de renovação da região central, que, conforme a prefeitura, passou por dez anos de investimentos em infraestrutura e remodelação. O programa Reviver Centro tem como pilar reaproximar o espaço público como lugar de pertencimento, com foco em gastronomia, lazer, esporte, cultura e eventos. Entre as entregas citadas estão a Arena Niterói, o Complexo de Atletismo Aida dos Santos, o Solar Notre Rêve, o Museu do Cinema, o Mercado Municipal e a Nova Catedral Católica.
Fotos: Claudio Fernandes
Fonte: Ascom PMN

















