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Ebola no Congo entra em alerta máximo da OMS

Organização Mundial da Saúde eleva risco da epidemia de ebola na República Democrática do Congo e reforça preocupação com avanço da doença.

Por Redação

A Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou nesta sexta-feira o nível de risco da epidemia de ebola na República Democrática do Congo para “muito alto”, classificação máxima adotada pela entidade para emergências sanitárias nacionais. A decisão ocorre após o avanço acelerado dos casos em regiões afetadas por conflitos armados e dificuldades no acesso a serviços de saúde.

De acordo com o balanço mais recente divulgado pelas autoridades sanitárias congolesas, o país registra dezenas de casos confirmados da doença, além de centenas de ocorrências suspeitas sob investigação. A situação preocupa especialistas devido à rápida disseminação da cepa Bundibugyo, variante para a qual ainda não existe vacina aprovada ou tratamento específico amplamente autorizado.

Conflitos dificultam combate ao vírus

A epidemia se concentra principalmente nas províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul, áreas marcadas pela atuação de grupos armados e pela instabilidade política. O cenário de insegurança limita o deslocamento de equipes médicas e dificulta a realização de ações essenciais, como rastreamento de contatos, isolamento de pacientes e campanhas educativas.

Além disso, autoridades internacionais alertam que o colapso parcial da infraestrutura hospitalar amplia o risco de transmissão comunitária. Hospitais e centros de atendimento enfrentam falta de profissionais, medicamentos e equipamentos básicos de proteção.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que o surto exige mobilização internacional imediata para evitar uma expansão regional. Embora o nível global permaneça considerado baixo, países vizinhos já monitoram possíveis novos casos.

Na vizinha Uganda, autoridades confirmaram infecções relacionadas ao atual surto congolês. O governo reforçou protocolos sanitários em áreas de fronteira e ampliou a vigilância epidemiológica em hospitais.

Ausência de vacina aumenta preocupação

Especialistas da OMS afirmam que a ausência de imunizantes contra a cepa Bundibugyo representa um dos principais desafios no controle da doença. Diferentemente de outras variantes do ebola, que já possuem vacinas experimentais ou aprovadas, essa linhagem ainda depende exclusivamente de medidas de contenção sanitária.

O diretor regional da OMS para a África, Mohamed Yakub Janabi, alertou que subestimar o surto pode gerar consequências graves para o continente. Segundo ele, basta um único caso não monitorado para provocar novas cadeias de transmissão em diferentes países.

O ebola é uma doença viral grave que provoca febre hemorrágica, dores musculares, vômitos, diarreia e, em muitos casos, falência múltipla de órgãos. A transmissão ocorre pelo contato direto com fluidos corporais contaminados, superfícies infectadas ou pessoas mortas pela doença.

Apesar de apresentar menor capacidade de disseminação quando comparado à Covid-19 ou ao sarampo, o vírus possui alta taxa de mortalidade. Nas últimas décadas, epidemias de ebola provocaram milhares de mortes em diferentes regiões da África.

Organizações humanitárias defendem maior apoio financeiro internacional para fortalecer a resposta médica no Congo. A expectativa das autoridades sanitárias é conter o avanço da doença nas próximas semanas por meio de isolamento rápido, monitoramento de contatos e campanhas de conscientização pública.

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