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Refugiada em Niterói transforma vida com educação

História de russa que recomeçou no Brasil evidencia como ensino, certificação e acolhimento têm impulsionado a integração de migrantes.

Por Redação

O Brasil alcançou, em 2024, o maior volume de pedidos de refúgio de sua história recente. Dados da Agência da ONU para Refugiados indicam 68.159 solicitações no período, elevando o total de pessoas reconhecidas como refugiadas para mais de 156 mil. Esse crescimento reforça um cenário complexo, no qual desafios como idioma, validação de diplomas e inserção profissional ainda dificultam a adaptação de milhares de migrantes.

Nesse contexto, iniciativas voltadas à educação têm ganhado destaque como ferramentas estratégicas de inclusão. Projetos que integram ensino, certificação linguística e suporte jurídico vêm contribuindo diretamente para a reconstrução de trajetórias, especialmente entre populações em situação de vulnerabilidade social.

Educação como ponto de virada na integração

A trajetória da russa Liliya Mogzhanova Oliveira de Souza ilustra com clareza esse impacto. Aos 41 anos, moradora de Piratininga, em Niterói, ela chegou ao Brasil em 2021 em busca de estabilidade e novas oportunidades. Com experiência prévia na área audiovisual, encontrou dificuldades comuns a muitos estrangeiros, como o reconhecimento profissional e a continuidade dos estudos.

A virada ocorreu quando teve acesso a programas educacionais voltados a migrantes. Após receber orientações sobre validação acadêmica, ela ingressou em uma graduação em cinema e audiovisual por meio de bolsa de estudos. A oportunidade permitiu não apenas retomar sua carreira, mas também ampliar perspectivas no mercado brasileiro.

Além da formação acadêmica, o aprendizado da língua portuguesa desempenhou papel decisivo. A certificação linguística, frequentemente exigida para emprego e estudos, representa uma etapa essencial na integração. Mais informações sobre políticas de acolhimento podem ser consultadas em https://www.acnur.org/portugues.

Refugiada em Niterói transforma vida com educação

Projetos ampliam acesso e criam oportunidades

A expansão dessas iniciativas também alcança outras regiões do país. Em São Paulo, programas educacionais passaram a atender refugiados de diferentes nacionalidades, incluindo afegãos que chegaram ao Brasil após crises políticas recentes.

Entre eles está Mahdi Sobhan, que iniciou nova graduação após aprender português em cursos específicos para migrantes. Atualmente, ele concilia os estudos com atividades no setor gastronômico, demonstrando como a educação pode impulsionar autonomia financeira e novos projetos de vida.

Outro exemplo é o de Shegofa, que teve sua formação interrompida em seu país de origem e encontrou no Brasil a possibilidade de continuidade acadêmica. Casos como esses evidenciam o papel da educação na promoção de igualdade de oportunidades, sobretudo para mulheres que enfrentam restrições em seus países.

Além do ensino formal, ações complementares como núcleos de atendimento jurídico gratuito ampliam o suporte aos refugiados. Esses serviços auxiliam na regularização documental e no acesso a direitos, fortalecendo o processo de integração social.

Certificação e inclusão fortalecem autonomia

Outro avanço relevante está na estruturação de cursos de português como língua de acolhimento. A certificação oficial, aplicada a centenas de migrantes, tornou-se um diferencial importante para inserção no mercado de trabalho e continuidade dos estudos.

Esses programas são desenvolvidos com metodologias específicas, que consideram as necessidades de adaptação cultural e social dos participantes. A atuação conjunta entre instituições de ensino e organizações especializadas tem contribuído para elevar a qualidade pedagógica e ampliar o alcance das ações.

Além disso, projetos de alfabetização voltados a jovens e adultos em situação de vulnerabilidade já beneficiaram milhares de pessoas em diversas regiões do país. A iniciativa busca não apenas ensinar leitura e escrita, mas também promover cidadania e autonomia.

Para Liliya, que atualmente está em fase final de graduação e se tornou mãe recentemente, o acesso à educação representou uma mudança estrutural em sua vida. Com novos conhecimentos e uma rede de contatos ampliada, ela projeta atuação profissional no audiovisual brasileiro, com foco em produções que dialoguem entre culturas.

A experiência reforça um movimento crescente no país: o reconhecimento da educação como instrumento central para inclusão, desenvolvimento e reconstrução de trajetórias. Em um cenário de aumento da migração, iniciativas estruturadas tendem a desempenhar papel cada vez mais relevante na construção de oportunidades reais para quem busca recomeçar.

Fotos: Divulgação