Justiça

MP do Rio garante prisão preventiva por tentativa de feminicídio em São Gonçalo

Decisão foi tomada durante plantão judiciário após agressão com faca contra mulher que recusou relacionamento; vítima segue internada com ferimentos graves.

Por Redação

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) obteve a conversão da prisão em flagrante para prisão preventiva de um homem acusado de tentativa de feminicídio em São Gonçalo, na Região Metropolitana Leste Fluminense. A decisão foi concedida no domingo (8), durante o plantão judiciário, após manifestação do Núcleo de Atuação perante a Central de Audiência de Custódia (NACAC/MPRJ).

O crime ocorreu no bairro Galo Branco e, segundo os autos, foi motivado pela recusa da vítima em manter um relacionamento afetivo com o agressor. Conforme apurado, o homem insistia em se aproximar da mulher desde dezembro de 2025. No entanto, diante do desinteresse manifestado por ela, passou a agir de forma violenta, culminando no ataque dentro da residência da vítima.

De acordo com o relato de uma testemunha-chave, a mãe da mulher, o agressor foi surpreendido no momento em que desferia golpes de faca contra a filha. A testemunha conseguiu intervir, fazendo com que o homem cessasse as agressões e fugisse do local antes da chegada das autoridades. Apesar da ação rápida, a vítima sofreu ferimentos graves e precisou ser socorrida com urgência.

Após a prisão em flagrante, o caso foi analisado durante audiência de custódia. Na ocasião, o NACAC/MPRJ defendeu a manutenção da prisão, destacando a gravidade concreta do crime e o risco representado pelo acusado. A Justiça acolheu os argumentos apresentados e determinou a prisão preventiva.

Gravidade das lesões e risco à vítima

Segundo informações do Ministério Público, a mulher permanece hospitalizada com múltiplas lesões na cabeça, no rosto e no pescoço, áreas vitais do corpo. Os promotores ressaltaram que a quantidade e a intensidade dos golpes indicam a clara intenção de matar, o que caracteriza a tentativa de feminicídio, crime previsto na legislação brasileira quando a violência é motivada por discriminação ou menosprezo à condição de mulher.

Além disso, o MPRJ apontou que a prisão preventiva é necessária para garantir a ordem pública e evitar a repetição de condutas violentas. O histórico de insistência do agressor e a forma como o ataque foi executado reforçaram o entendimento de que a liberdade do acusado representaria risco concreto à vítima e à sociedade.

Proteção à instrução criminal

Outro ponto considerado pela Justiça foi a conveniência da instrução criminal. Conforme destacou o NACAC/MPRJ, a prisão do acusado é fundamental para assegurar que o processo transcorra sem interferências, especialmente em relação às testemunhas e à própria vítima, que ainda se recupera das agressões.

O caso se soma a outros episódios de violência de gênero registrados no estado e reforça a importância da atuação rápida do sistema de Justiça em situações de risco extremo. O MPRJ reiterou que continuará atuando de forma rigorosa em casos de feminicídio e tentativa de feminicídio, com foco na responsabilização dos autores e na proteção das vítimas.

A investigação segue em andamento, e o acusado permanecerá preso preventivamente à disposição da Justiça enquanto o processo avança.

Foto Divulgação / MPRJ