Niterói

Lei dos contêineres impulsiona reciclagem e melhora limpeza urbana em Niterói

Nova norma já aumenta adesão dos condomínios, reduz sujeira nas ruas e eleva em 64% o volume de recicláveis recolhidos pelo Recicla Niterói.

A implementação da Lei dos Contêineres vem transformando a rotina da coleta de lixo em Niterói. Em vigor desde 6 de outubro, a legislação trouxe mais organização para o descarte de resíduos, fortaleceu ações de sustentabilidade e elevou a eficiência dos serviços de limpeza urbana. Entre os efeitos mais imediatos está o aumento de 64% no volume de recicláveis recolhidos pelo programa Recicla Niterói. Só em outubro, foram 18 toneladas, reflexo direto da mudança no comportamento dos condomínios.

O novo modelo também valorizou os profissionais da limpeza. Gari há dez anos, Luiz Claudio Cruz descreveu a diferença no serviço após a adoção dos contêineres em prédios e comércios. Segundo ele, o trabalho ficou mais rápido e seguro, já que o lixo passou a ser recolhido ensacado e protegido. Antes, a equipe gastava tempo limpando resíduos espalhados nas calçadas por animais e catadores. Agora, diz ele, há mais respeito e melhores condições de trabalho.

Forte adesão dos condomínios impulsiona mudanças

A Lei 3987/2025 alterou o Código de Limpeza Urbana e passou a exigir que o lixo seja acondicionado em contêineres com tampa, de até 1000 litros, além de sacos pretos de até 100 litros que impedem o contato direto do resíduo com o recipiente. Os condomínios tiveram seis meses para se adaptar e, segundo os dados já compilados, a adesão cresce rapidamente.

Em Icaraí, por exemplo, apenas 31 condomínios utilizavam contêineres em maio, um mês após a sanção. Em novembro, esse número saltou para 368, representando aumento de mais de 1.000%. A mudança também refletiu diretamente na reciclagem: o número de prédios que não separavam resíduos caiu de 514 para 289 no mesmo período.

Lei dos contêineres impulsiona reciclagem e melhora limpeza urbana em Niterói

Ações de educação ambiental reforçam separação correta dos resíduos

Equipes de sustentabilidade da Clin realizam, desde janeiro, visitas de orientação aos bairros. Os técnicos explicam como a disposição inadequada do lixo favorece sujeira, mau cheiro, proliferação de vetores e problemas gerados pela ação do vento, da chuva e de animais. Com a conteinerização, esses impactos diminuem e a coleta se torna mais eficiente.

A engenheira ambiental e sanitarista Lélia Lomardo destaca que a adoção dos contêineres reduz a poluição visual, limita a proliferação de baratas, ratos e mosquitos e deixa a cidade mais organizada. Nas visitas, os agentes também reforçam os horários da coleta municipal e verificam se a separação de recicláveis está sendo feita corretamente.

Expansão do programa alcança novos bairros

As atividades continuam em diversos pontos da cidade. Na última semana, o Ingá voltou a receber equipes de educação ambiental para checagem da coleta seletiva e reforço das orientações de descarte. Além disso, o cronograma seguirá ampliado para outros bairros, acompanhando a evolução do programa.

A experiência de Niterói tem sido acompanhada por cidades que estudam medidas semelhantes. No Brasil, iniciativas de modernização da coleta e da gestão de resíduos vêm sendo discutidas em fóruns de sustentabilidade e entidades federativas. O Ministério do Meio Ambiente, por exemplo, mantém atualizações constantes sobre políticas de resíduos sólidos em https://www.gov.br/mma, reforçando a importância de modelos urbanos mais eficientes e sustentáveis.

Com resultados positivos em poucos meses, a Lei dos Contêineres já se consolida como uma política pública capaz de promover limpeza, saúde urbana e educação ambiental. A tendência, segundo técnicos da área, é que o impacto seja ainda maior nos próximos ciclos de coleta.

Fotos: Lucas Benevides