Palavras | Campanha 2018: No ar o espetáculo do absurdo!

O Brasil é um país surreal: um homem condenado a quase uma década na prisão, que ocupou o cargo máximo do Poder Executivo por oito anos graças ao seu talento – é preciso reconhecer – inigualável para enganar uma nação inteira, percorre o território fazendo comícios e contradizendo todas as ações que até agora se fizeram para tentar recuperar a moral do país. Num dia brada aos quatro ventos que a Operação Lava Jato é que é a responsável pelos prejuízos incontáveis à Petrobrás. (Oi?) No outro se anuncia muito triste com o que está acontecendo no estado do Rio por conta da prisão de ex-governadores, bate na tecla de que nem se provou ainda a culpa de cada um deles, que quem diz isso é a imprensa e que ele não acredita em tudo o que a imprensa diz. (vão vendo)

Qualquer pessoa com um mínimo de noção da realidade que estamos vivendo só pode achar que este sujeito é, no mínimo, um louco, e no máximo, um tirano ditador. Não é possível vociferar tantas insanidades em cima de palanques e ainda querer enganar pessoas ingênuas com esse cardápio de sofismas absolutamente ridículos.

A sanha da lagartixa é tamanha que ele não tem a menor autocensura, e tenta driblar consciências com suas pseudodúvidas estapafúrdias sobre quem é honesto e quem é delinquente. É um festival de manobras que parecem burras, mas que na verdade, buscam engrupir os incautos com os próprios despropósitos conclamados ao microfone. A tática aplicada deve ser a de questionar a própria verdade até que ela vire mentira e vice-versa, nada surpreendente em seu bojo, mas que consegue escandalizar em suas minúcias.

E o pior de tudo é que ninguém faz nada. O irresponsável continua esbravejando sandices Brasil afora como se tivesse alguma condição moral de defender esta ou aquela ideologia. Estupefata, fico me perguntando quando é – se é que vai chegar esse dia – que a chamada “justiça” eleitoral vai barrar a infame criatura que concretamente faz campanha presidencial fora da época permitida. São coisas que mostram o realismo fantástico – no pior sentido – que vivemos em Pindorama.

Borges não conseguiria chegar a tanto. Nem Cortázar, nem mesmo Kafka. O país assiste diariamente, e não somente por parte desse desvairado malandro, como por várias personagens do teatro político brasileiro, a um amontoado de demências presididas por débeis bandidos.

Creio que, no ritmo em que vamos, teremos uma campanha política impossível de ser considerada com um mínimo de seriedade em 2018. Será preciso se informar, estudar, conversar (pacificamente, é bom lembrar) e também orar muito para ter condições de chegar às urnas com alguma esperança de uma luz no fim do túnel dos próximos quatro anos. Quem viver verá cobras fumando, vacas tossindo e bois voando. Que a nossa saúde mental tenha forças para suportar. É o que eu desejo a todos nós, cidadãos de bem deste nosso tão combalido Brasil.

Cristina Lebre é autora dos livros Olhos de Lince e Marca d’Água – à venda na Livraria Schöfer, em Icaraí, ou diretamente por lebre.cristina@gmail.com

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