‘Revitalização’ da Moreira César frustra moradores e comerciantes de Icaraí

A tão sonhada obra prometida pela prefeitura de Niterói, em 2015, não foi concluída.

Tânia Ribeiro Roxo

Dois anos se passaram e quem caminha hoje pela Moreira César, em Icaraí, considerada a mais bonita da cidade, encontra postes podres, fiação embaralhada, buracos nas calçadas e uma série de outros problemas. A deterioração é o que mais chama a atenção no local.

A reurbanização da via, um dos principais polos comerciais e de serviços de Icaraí, tinha um prazo de realização de 14 meses, com um investimento no valor de R$ 8.098.642,27. No entanto, somente a primeira quadra no início da rua e a do final receberam alguma atenção.

De acordo com a prefeitura, o foco seria aumentar o uso do espaço, inclusive realizar eventos culturais e esportivos, aumentando a renda e os postos de trabalho. Outra meta seria melhorar a mobilidade, a segurança e o acesso para pessoas com necessidades especiais.

A implantação do sistema “traffic calming” – quebra-molas suave para reduzir a velocidade dos carros – que seria instalado em todos os cruzamentos, anunciado como grande novidade, garantindo a segurança e comodidade aos pedestres, não aconteceu. Outras promessas como a faixa de rolamento e uma de estacionamento (com 6 metros), além de uma ciclofaixa em toda a sua extensão (com 1,20 m de largura) também não saíram do papel.

A Moreira César deveria ganhar pisos táteis, de acordo com as modernas normas de acessibilidade, 13 bicicletários, padronização de todos os equipamentos e mobiliário urbano (como bancas de flores e de jornais, lixeiras, jardineiras e bancos), e uma nova programação visual como forma de reforçar sua identidade. Não foram realizados até o momento.

A substituição de toda a fiação aérea pelo sistema subterrâneo; a instalação de novos postes com duas saídas de luz (uma mais alta para a rua e outra mais baixa para a calçada; o monitoramento permanente por câmeras de segurança; o acesso livre à internet, com rede wi-fi; instalação de 28 totens multimídia para informação; o reforço na limpeza urbana, com ênfase na coleta seletiva de lixo, reaproveitamento de águas cinzas e logística reversa de embalagens, insumos e equipamentos ficaram só no projeto. Pelo que se verifica, nada disso foi feito até agora.

Na ocasião, há 2 anos, o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Fabiano Gonçalves, destacou a integração dos órgãos da prefeitura para o projeto sair do papel. “O ganho será muito grande. Nós cumprimos mais de 100 exigências entre idas e vindas e conseguimos fazer toda a modelagem do processo, mas não acabou o desafio, estamos agora discutindo o transcurso da obra. Nós temos certeza que o resultado vai valer a pena todo o esforço”, opinou na época.

Os únicos trechos que foram mexidos foram: o primeiro quarteirão (da Avenida Almirante Ary Parreiras até a Rua Comendador Queiroz) e no último quarteirão (da Rua Miguel de Frias até a Álvares de Azevedo).

 

Para P. B., moradora da rua Moreira César, a empolgação foi visível quando soube do projeto. Até o momento, ela está esperando que o plano vá adiante. O prejuízo no trânsito foi grande, embora já esperado, segundo ela. “Eu torço para que seja cumprido – mesmo que o prazo da obra já tenha expirado – porque em algum momento a gente contribuiu para que isso acontecesse. O aumento do IPTU esse ano foi um susto: o contribuinte que paga parcelado o imposto tem juros ao mês. Espero que esse dinheiro vá para o lugar certo e não para a lixeira”, reclamou.

O comerciante Bruno Lobato que trabalha há 23 anos na rua Moreira César, acredita que a obra trouxe muito transtorno aos moradores e comerciantes. “Foram quebradas a rua e a calçada inteiras prejudicando o acesso às lojas. Até um cano de gás foi estourado e deu um grande susto” comentou.

De acordo com ele, foi cavado um buraco na rua para passar a fiação subterrânea e não colocaram nada. “A fiação está um ninho de gato absurdo. Foi feito um asfalto de péssima qualidade que precisou ser refeito diversas vezes. As pedras de granito que foram usadas nas calçadas não são uniformes (têm várias tonalidades). Não há sinalização para avisar sobre os quebra-molas. O wi fi não foi colocado. O mobiliário urbano (bancas de jornais e flores por exemplo) não foi feito. A ciclovia não foi concluída. Em três esquinas da Álvares de Azevedo não há rampa de acesos para os cadeirantes”, declarou.

Lobato informou ainda que para executar essa obra, a prefeitura de Niterói investiria 2 milhões de reais e o governo federal 10 milhões. Porém, os recursos não teriam sido entregues. A Caixa Econômica Federal não teria liberado as verbas. “Cadê os 2 milhões da prefeitura? Por que a CEF não liberou o restante?”, perguntou indignado.

A iluminação em toda a extensão da via está precária. De acordo com o projeto, seriam instalados postes de iluminação com uma luz voltada para a calçada e outra para a rua. O trecho mais perigoso fica entre as ruas Pereira de Silva e Álvares de Azevedo. A escuridão esconde muitos buracos e imperfeições na calçada.

Segundo a Prefeitura, sua parte da obra foi cumprida. No entanto, problemas de lentidão na liberação de recursos das emendas parlamentares prejudicaram o andamento dos trabalhos e a população. Por conta disso, ficou decidido cancelar o convênio e retomar o projeto com recursos próprios assim que houver disponibilidade orçamentária.

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