Palavras | Barata, nosso maior inimigo!

Resultado de imagem para charge gilmar mendes barataTenho pavor de baratas. O que não é nenhuma particularidade minha, antes pelo contrário, difícil é achar uma mulher que não tenha pânico só de pensar em um exemplar daquele peçonhento inseto.

Sei que atualmente a palavra remete à corrupção que assola o país, e a um certo empresário do Rio que vive sendo preso pela PF e solto por um não menos suspeito ministro do STF. Mas no caso da coluna de hoje não é sobre o caos político brasileiro que quero falar. É sobre baratas mesmo. Essa personagem kafkiana que assombra tantos lares inocentes.
Tenho um sonho de ir morar numa casa com um quintal onde eu possa plantar o que vou comer. Isso no interior, claro, aqui não dá mais. Porém o grande problema é a minha total incapacidade de lidar com insetos. Moro só com minha filha mais nova, igualmente desesperada só de pensar em lagartixas, baratas, cobras e ratos. Se eu me casasse de novo talvez tivesse um assassino bem valente dessas pragas dentro de casa. De todo modo o preço para me ver livre – sã e salva – dos insetos e répteis apavorantes seria alto demais, rsrsrs.
Por essas e outras é que permaneço num apartamento, tentando manter minha hortinha na varanda, e onde, mesmo assim, corro o risco de ser assaltada de repente por uma dessas loucas e asquerosas criaturas.

Como no último sábado. Estava eu preparando minha tapioca de tomate seco, rúcula e queijo quando, ao me dirigir à área de serviço, deparei-me com uma gigantesca caminhando, antenas em riste, tranquila em direção à minha dispensa. Argh! Sozinha em casa dei alguns passos para trás, pedi ajuda a Deus e tummmm: fechei a porta do cômodo deixando ela lá dentro. Peguei um pano de chão e vedei o vão entre a porta e o piso. Abri o armário em cima do tanque, agarrei meu Baygon e não desgrudei mais dele até sair da cozinha com minha tapioca, minha taça de vinho e uma garrafa d’água. Fechei a porta da cozinha e não mais voltei até o domingo de manhã quando, sem esquecer o inseticida milagroso, caminhei em direção à dispensa tomando coragem para abri-la. Depois de muita oração adentrei o cômodo, Baygon em riste como se fosse meu 38. A desgraçada havia sumido. Procurei atrás da porta, na direção do banheirinho, e nada. Passei o resto do domingo com o inseticida na mão. Na segunda pedi à minha diarista que tirasse todo o entulho das dependências até achar a peçonhenta. Beth aproveitou pra fazer uma faxina ali, e descobrirmos muita coisa velha para jogar fora.

A barata desapareceu. E eu fiquei pensando nos medos que nos paralisam. Se tiver de passar um dia inteiro como voluntária em hospitais podem me chamar. Se precisar apresentar um evento para 300 pessoas é comigo mesma. Mas não me peça pra enfrentar insetos. Chego a pensar que esses animais não são de Deus, mas criação de Satanás.

São as idiossincrasias que nos acompanham, às vezes durante toda a vida.

Se houver terapia pra perder medo de barata me avisem. Vou até perguntar à minha psicóloga, visto que este é, literalmente, um medo que me paralisa. Respondo aqui assim que souber. Até lá Baygon – e distância – delas.

Cristina Lebre é autora dos livros Olhos de Lince e Marca d’Água – à venda na Livraria Schöfer, em Icaraí, ou diretamente por lebre.cristina@gmail.com

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