Cidadania | Esmola não é a solução. O caso é de saúde pública!

Por diversas vezes caminhamos nas ruas de nossa cidade e nos deparamos com moradores de rua. O cenário não é incomum em cidades movimentadas, como as capitais e outros municípios de grande circulação de pessoas, como Niterói. Naquela cotidiana cena, vemos pessoas pedindo esmolas pelas vias públicas em busca de dinheiro para os seus anseios. Aparentemente, parece-nos que a maioria quer alguma quantia para se alimentar, contudo, é um ledo engano. Registros apontam que mais de 60% dos moradores de rua se drogam, variando o consumo entre maconha, crack, cocaína, heroína, entre outras drogas. Neste sentido, o que se constata é que muitos, infelizmente, adquirem o dinheiro da esmola para comprar drogas. Com o consumo da droga – uma pedra de crack, por exemplo – eles deixam de sentir fome e, cada vez mais, se viciam no entorpecente.

Por outro lado, ofertar comida, ao invés de dinheiro, parece ser uma boa solução. Entretanto, mais uma vez, trata-se de um equívoco. Ao oferecer alimento para o morador de rua, ele entra em um círculo vicioso de dependência daquela oferta e se nega a ir para um abrigo. O Município de Niterói, por exemplo, possui abrigo para moradores de rua que contém camas, sala de televisão, banheiros com chuveiro de água quente e fria, e ainda oferece quatro refeições diárias. Apesar disso, os moradores, em sua grande maioria, querem ficar nas ruas, haja vista, a possibilidade de receberem alimentos e dinheiro para a compra de drogas e bebidas alcoólicas. É claro que não podemos generalizar e afirmar que todos fazem isso, mas pesquisas apontam que aquela tem sido a conduta da maioria.

Dentro daquela triste situação, faz-se necessária a conscientização não só da população como também do Poder Público que precisa identificar a solução adequada frente às problemáticas apresentadas na sociedade. No caso de moradores de rua, em que a maioria está consumindo drogas, é preciso despertar para o fato de que a solução não está na assistência social, mas sim, na saúde pública. Em primeiro lugar, é preciso criar clínicas de recuperação para usuários de drogas e alcoólatras que sejam equipadas e preparadas para promover um atendimento de excelência naquela recuperação. Muitos moradores de rua querem deixar de usar drogas, mas não recebem tratamento médico para isso. Após o tratamento de recuperação – ou ainda, de modo concomitante – aquele morador de rua deve participar de um programa de capacitação da assistência social do município para ser ressocializado a partir do emprego de alguma atividade ou ofício.

Portanto, nesta engenhoca social, é preciso uma formação tríplice de uma estrutura que tenha a participação da sociedade se negando a fomentar o vício nas ruas por meio de esmolas; a área de saúde pública promovendo um tratamento de recuperação dos moradores de rua em relação aos seus vícios; e a assistência social realizando um trabalho de reintegração daqueles moradores no seio da sociedade como cidadãos capazes de exercer sua cidadania e ganhar o seu sustento por meio de uma atividade laboral. Assim, construiremos uma sociedade mais digna e justa.
Dê a sua contribuição para a ressocialização e viva a cidadania!

Professor Barragan é professor universitário de Direito, advogado, contador, empreendedor, Mestre em Direito Econômico e Desenvolvimento, Pós-graduado em Direito Público, MBA em Gestão, Empreendedorismo e Marketing, colunista de jornais e revistas e autor de livros. Facebook: Professor Barragan. Instagram: @professorbarragan

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