Palavras | Desigualdade: vergonha nacional

Acordo hoje com a notícia de que o Ministro Marco Aurélio Mello (foto) liberou o pagamento retroativo de auxílio-moradia a juízes e desembargadores do Rio Grande do Norte. São 39 milhões a serem pagos, cada juiz recebendo, em média, R$ 200 mil no contracheque de outubro, por um benefício que eles julgam lícito. Tenho vontade de encher a caixa de mensagens deles com fotos de moradores de rua e colocar no pé das imagens a hashtag #VotoFaxinaem2018.

Eu e um grupo de irmãos de minha igreja saímos uma vez por semana à noite e distribuímos comida, roupa e a palavra de Deus. Tem sido uma experiência extremamente enriquecedora pra nós. Destarte a prefeitura não incentivar essas medidas por parte dos cidadãos, alegando que isso pode desestimular os que estão nas ruas a procurarem os abrigos municipais, entendemos que a demanda é muito grande, e não dá pra depender somente do poder público para ajudar essas pessoas.

São inúmeras as razões pelas quais há gente dormindo ao relento. Pobreza, problemas com a família, desemprego, doenças mentais, fuga de abusadores, alcoolismo, dependência química, etc. Já conhecemos pessoas com alto nível intelectual, outras extremamente conscientes de sua condição e que desejam continuar assim, outras entregues à bebida para suportar o abandono total. Todas têm um ponto comum: estão marginalizadas, seja pela sociedade, pelo Estado, ou por ambos. É das mais tristes realidades que um ser humano pode vivenciar.

Outro dia um senhor que mora nas escadas do Caio Martins nos agradeceu a quentinha de macarrão com carne moída e nos desejou um ótimo final de semana. Fiquei pensando como é que ele pode ter a noção de que dia é hoje, no meio daqueles andrajos que deve chamar de casa. Eles nos impressionam. A resiliência é imensurável, e nos faz pensar no quanto o ser humano pode suportar.

Uma notícia como essa de hoje nos estampa a cara da desigualdade brasileira. Não dá pra não deixar a gente de queixo caído e muita revolta no peito. Minha indagação aos poderosos e celebridades é sempre esta: e os pobres? O que fazer com eles? O que está sendo feito por eles? Por que há tanta gente na sarjeta?

As respostas estão sendo compiladas para um trabalho futuro. No mais, que a própria sociedade se sensibilize e participe. Porque dos governos pouco se pode esperar. E que a gente se lembre, todos os dias, que as eleições se aproximam. Voto faxina em 2018.

Cristina Lebre é autora dos livros Olhos de Lince e Marca d’Água – à venda na Livraria Schöfer, em Icaraí, ou diretamente pelo e-mail lebre.cristina@gmail.com

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