Artigo | A valorização dos nossos policiais

Por Milton Rangel

Como defensor de maiores investimentos na área de segurança pública no Estado do Rio de Janeiro e de melhores condições de trabalho para os policiais, sempre busquei soluções para que fossem honrados os calendários de pagamento desses servidores. Porém, nas últimas semanas, fui surpreendido por duas notícias lamentáveis: a morte do comandante do Batalhão do Méier, que elevou para 113 o número de PMs assassinados no Rio, e a declaração vergonhosa e descabida do ministro da Justiça Torquato Jardim de que a nossa polícia é sócia do crime organizado do Rio.

Nós do Rio respeitamos a nossa polícia que dá o próprio sangue pela sociedade fluminense. O ministro tentou jogar lama sobre a reputação da PMERJ, ao insinuar que a corporação é conivente com a bandidagem e que o seu comando decorre de acerto com deputados. A nossa polícia é sim uma instituição honrada, que apesar de todas as dificuldades, dos salários atrasados e de equipamentos ultrapassados, tem feito o seu melhor para nos proteger. Os nossos problemas são, na verdade, fruto de promessas não cumpridas. Onde estão os 10 mil homens que o senhor Ministro prometeu para o estado?

Em 28 de julho o Governo Federal autorizou o uso de forças militares no combate ao crime organizado no Rio de Janeiro. Desde então pouco se viu. Operações pontuais com resultados duvidosos e custos altíssimos. O último uso de tropas federais foi na comunidade da Rocinha em virtude da disputa pelo comando do tráfico da região. Ao todo foram gastos R$ 47 milhões, em 7 ações que resultaram em 47 pessoas presas e 26 fuzis apreendidos.

O comandante do 3º Batalhão da Polícia Militar, no Méier, coronel Luiz Gustavo Lima Teixeira, morreu após ser baleado 17 vezes ao tentar frustrar a ação de criminosos que realizavam um arrastão na região. Cerca de três horas depois, mais um policial militar foi assassinado no Rio de Janeiro. O cabo do 41º BPM, Djalma Veríssimo Pequeno, de 48 anos, foi morto durante uma troca de tiros em um shopping em Guadalupe, Zona Norte do Rio, ao tentar evitar um assalto.

Não estamos falando de números. Estamos falando de vidas. Famílias. Seres humanos que foram mortos tentando proteger a população. Até quando vamos permitir que isso aconteça? Vivemos uma guerra urbana. Levantamentos recente mostram que perdemos mais policiais no Rio de Janeiro do que soldados no Afeganistão durante a ofensiva dos EUA em 2001. Até quando vamos ver famílias chorando pela falta de entes queridos? Até quando vamos viver esse medo de sair nas ruas do Rio de Janeiro? Até quando vamos ser afrontados por marginais?

Vamos apoiar a polícia. Vamos ficar ao lado daqueles que perdem suas vidas defendendo a sociedade. Vamos parar de proteger bandidos, participar de protesto pela morte de traficantes. Basta. Os valores estão invertidos. Deixo aqui mais uma vez o meu total apoio e o mais profundo sentimento aos familiares desses 113 heróis que tiveram suas vidas brutalmente interrompidas. Que Deus os tenha em bom lugar e que possam abençoar e proteger os demais que permanecem nessa batalha sem previsão de dias melhores.

Milton Rangel é deputado estadual pelo DEM-RJ

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